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Saúde

19/02/2018 ás 23h25 - atualizada em 19/02/2018 ás 23h44

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Gandu / BA

Cinco órgãos do jovem que morreu após ser agredido no Carnaval são doados.
Kaique Abreu, de 22 anos, levou um soco na sexta-feira (9), foi internado, mas não resistiu. Informações sobre cirurgias é da coordenação estadual de transplantes.
Cinco órgãos do jovem que morreu após ser agredido no Carnaval são doados.

Os órgãos do jovem Kaique Abreu, de 22 anos, morto após ser agredido com um soco e chutes durante o carnaval de Salvador, já foram transplantados para pacientes da Bahia, segundo a coordenadora estadual de transplantes do estado, Rita de Cássia Martins Pinto Pedrosa. Conforme informou Rita, cinco órgãos do jovem foram doados: os dois rins, fígado e as duas córneas.


O estudante de engenharia mecânica foi agredido na sexta-feira (9). Ele teve morte cerebral confirmada na quarta-feira (14). O suspeito do crime, identificado como Edson Rodrigues dos Santos, de 27 anos, contou que bateu no jovem porque queria descontar uma agressão que teria sofrido no circuito da folia. Ele está preso.


Sobre o transplante, Rita de Cássia informou que cerca de seis horas após a confirmação da morte cerebral do jovem, já na quinta-feira (15), o fígado dele foi transplantado para um dos pacientes que estava na fila para cirurgia. Em seguida, os dois rins, e depois as córneas.


"Nesta segunda-feira, todas as cirurgias já tinham sido realizadas. As córneas que foram transplantadas cerca de dois dias depois. A córnea dá para esperar mais, uns 12 dias, mas ainda assim quanto antes fizemos a cirurgia, melhor", detalhou.


Durante o enterro de Kaíque, o microempresário Igor Aquino e amigo da família, disse à imprensa que a decisão pela doação dos órgãos foi do jovem, que já havia manifestado esse desejo em alguma oportunidade. Por isso, o corpo do rapaz só foi enterrado dois dias após a confirmação da morte.


Igor disse, ainda, que a doação foi uma decisão conjunta do pai, da mãe e do irmão do jovem. O rapaz detalhou que enquanto eles tomavam a decisão, lembraram que no ano passado Kaique disse que queria doar os órgãos caso morresse.


Doação


 Dados da coordenação de transplantes apontam que 60% das pessoas negaram a doação dos órgãos do parente que morreu na Bahia (Foto: Lalo de Almeida/Divulgação)  Dados da coordenação de transplantes apontam que 60% das pessoas negaram a doação dos órgãos do parente que morreu na Bahia (Foto: Lalo de Almeida/Divulgação)


Dados da coordenação de transplantes apontam que 60% das pessoas negaram a doação dos órgãos do parente que morreu na Bahia (Foto: Lalo de Almeida/Divulgação)


Rita de Cássia contou sobre a importância da doação de órgãos e revelou um dado. Conforme levantamento feito no setor de transplantes, em 2017, 60% das pessoas negaram a doação dos órgãos do parente que morreu.


"A negativa familiar é considerada grande. É interessante repercutir a importância da doação porque isso vai ajudar outras pessoas. Uma família já nos procurou hoje, após saber do caso da Kaíque e de que a família dele optou pela doação", disse.


Ainda segundo as estatísticas de transplantes na Bahia, das 196 pessoas que morreram e que a família preferiu não doar os órgãos, 20% (40 famílias) fizeram a negativa, pois desejavam enterrar a pessoa com o corpo íntegro. Outro dado com alta taxa foi o das famílias que eram contrárias à doação, que correspondeu a 16% (32 famílias) do total.


Os dados apontam, ainda, que a lista de espera para transplantes é maior para as pessoas que precisam de rins e córneas. Em 2017, 838 pessoas aguardavam pelo transplante de rim e 766, por córneas. Em seguida vem fígado, com cinco pessoas na fila, e pulmão, com quatro.


Com relação ao coração, no ano passado, não foram realizados transplantes do órgão na Bahia. Por meio das estatísticas, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) informou que os pacientes que tiveram indicação do tratamento foram encaminhados para outros estados com custeio da secretaria.


A Sesab informou também que os pacientes encaminhados para outros estados, após alta hospitalar, realizam acompanhamento pós-transplante no Hospital Ana Nery, localizado em Salvador.


Transplante


As pessoas que têm interesse em fazer a doação de órgãos após a morte de um familiar podem obter mais informações no site da Sesab. Além disso, o processo de doação/transplantes inicia com a identificação de um potencial doador que se encontram nas unidades hospitalares, geralmente estão em emergências ou unidades de terapia intensiva.


Após criteriosa etapa de exames e avaliações, além de ser confirmado o diagnóstico de morte encefálica, os familiares são informados sobre o óbito do paciente e uma equipe oferece a possibilidade de doação de órgãos e tecidos. Com o consentimento familiar procede-se a retirada dos órgãos e tecidos doados.


A distribuição dos órgãos é feita entre os pacientes previamente inscritos através do Sistema de Gerenciamento de Lista do Ministério da Saúde. A inscrição é realizada pelo próprio médico ou equipe de transplante que acompanha o paciente.


Não é permitida a inscrição de um mesmo receptor em mais de um estado simultaneamente, porém é dado ao paciente o direito de solicitar transferência de um estado para o outro sempre que desejar.


De acordo com informações nos site da Sesab, existe dois tipos de doadores. O doador vivo, que pode doar parte do fígado ou pulmão e um rim. A doação de órgãos intervivos só é permitida pela legislação brasileira para maiores de idade, que possam declarar por escrito a intenção de doar, podendo ter parentesco até quarto gral ou ser cônjuge do receptor. Nos casos de não parentesco, apenas com autorização judicial. O tecido que pode ser doado em vida é a medula óssea.


Já o paciente que teve morte encefálica, a família pode optar para doar múltiplos órgãos como coração, pulmão, rins, fígado, pâncreas e intestino), além de tecidos como pele, córnea e osso. A família do paciente que faleceu após a parada do coração pode doar córnea, pele e osso.


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