Quarta, 18 de julho de 2018
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Bahia

09/07/2018 ás 08h09 - atualizada em 11/07/2018 ás 10h13

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Redação

Gandu / BA

Frutas do Baixo Sul em alta; produção ganha mercado baiano e nacional
A chuva também é regular e tem permitido o plantio e a colheita ao longo de todo o ano.
Frutas do Baixo Sul em alta; produção ganha mercado baiano e nacional

Às margens da rodovia, um vendedor ambulante oferece banana da terra, graviola, abacaxi. À frente, outros vendedores se apressam para mostrar ao consumidor outras frutas comuns por ali: cacau, cupuaçu, pupunha, rambutan. Todos os vendedores garantem: as frutas saem de pomares da própria região. E quem há de duvidar. Faça chuva ou faça sol, seja inverno ou verão, é sempre assim no Baixo Sul. 


Em qualquer ocasião que se visite esta parte da Bahia tem fruta sendo colhida ou plantada, e basta circular pela zona rural para perceber que este é um Polo de Fruticultura cada vez mais pujante e diversificado. O mosaico agrícola se estende pelos municípios de Gandu, Teolândia, Wenceslau Guimarães, Presidente Tancredo Neves, Nova Ibiá e Piraí do Norte. As frutas saem das plantações mantidas nas 15.530 propriedades rurais espalhadas pelos seis municípios. 


Mas nem sempre foi assim.  Há 15 anos o cacau dominava absoluto as plantações. Mas, impulsionados pelas dificuldades enfrentadas nas lavouras cacaueiras, os produtores rurais começaram a buscar alternativas.  Para manter as propriedades rentáveis, se uniram a associações, cooperativas, sindicatos e vários órgãos públicos para formar o primeiro Comitê de Fruticultura do Estado da Bahia. A região também conta com o apoio de entidades como a Embrapa e universidades como a Uesc e a Uesb. 


“Nós tínhamos estes órgãos atuando de forma isolada. A ideia foi unir forças para tornar o processo mais dinâmico e eficiente. Juntos temos maior poder de reivindicação e negociação”, diz o presidente do Comitê de Fruticultura do Baixo Sul e Presidente do Sindicato Rural de Gandu, Renato Dias. 


Deu certo


A ação coletiva deu certo. As pesquisas e os estudos apontaram que o caminho para a sobrevivência e o desenvolvimento da região era a produção diversificada de frutas. Os agricultores começaram a aumentar as plantações de banana da terra e a investir em novos cultivos, como graviola e maracujá.


Hoje os pomares de graviola ocupam mais de 1.450 hectares na região, e são mais de 180 mil toneladas de banana da terra por ano. No ano passado, só o município de Teolândia teve uma receita de mais de R$ 51 milhões com o cultivo das bananeiras. 


A cada ano a região atrai mais gente. O município de Presidente Tancredo Neves, por exemplo, recebeu nos últimos anos mais de 20 famílias de agricultores vindos do Paraná.  A maioria dos produtores vende as frutas in natura, ou fornece a massa da fruta sem casca para fábricas de sucos da Bahia.


As agroindústrias familiares, onde é feito o descasque ou a despolpa, funcionam dentro das próprias fazendas e geram milhares de postos de trabalho na época da colheita.  


Localização


Os municípios que integram o polo ficam às margens da BR-101, principal via federal que interliga o Norte e o Sul do Brasil. A localização privilegiada permite o escoamento rápido da produção e a chegada dos alimentos, em curto prazo, nos principais polos consumidores do País.  


As frutas são transportadas em caminhões abastecidos diretamente nas propriedades ou nas cooperativas. A maior parte segue para Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, e outros estados, principalmente, Rio de Janeiro e São Paulo. 


Além disso, o Baixo Sul baiano está localizado em uma área de Mata Atlântica, cheia de serras e morros que tornam difícil a missão de encontrar terrenos planos. Os vales formam uma paisagem marcada por terrenos íngremes e irregulares.


Mas nada que sirva de empecilho para os agricultores. Eles adaptaram as plantações para terrenos enladeirados e, em qualquer ribanceira, por mais radical que seja o ângulo, é possível encontrar um pomar. Ademais a terra é fértil. 


A chuva também é regular e tem permitido o plantio e a colheita ao longo de todo o ano.


“Aqui não tem paradeiro e se produz no ano todo. O carro-chefe continua sendo o cacau, mas tem sempre alguém produzindo alguma coisa. Se não é a banana, é o abacaxi. Se não está colhendo maracujá, está retirando cupuaçu do campo. O agronegócio da região está sempre em movimento, e isso deixa o comércio das cidades dinâmico também”, destaca presidente do Comitê de Fruticultura do Baixo Sul, Renato Dias.


Especiarias


O clima da região, que provoca umidade, é considerado ideal também para a produção de especiarias. Não por acaso, as plantações de pimenta do reino e cravo da índia também são tradicionais e numerosas nesta parte do Estado.


Agricultor realiza sonho de voltar à terra dos pais


Clodoaldo viu a família perder quase tudo e os irmãos migrarem para outros estados. Quando pôde, voltou ao Baixo Sul para ser produtor rual na mesma região que seus pais (foto: Georgina Maynart)


Uma frase completa para batizar um lugar especial. O nome é peculiar: “Providência Divina, Meu Sonho”. Foi assim que Clodoaldo Oliveira Silva, de 47 anos, decidiu chamar a Fazenda que comprou há 3 anos. As quatro palavras revelam um pouco da saga vivida pelo agricultor para adquirir a propriedade no povoado de Itamarati, entre os municípios de Gandu e Ibirapitanga.  


Nascido em uma família de 8 filhos, Clodoaldo viu o sonho de ser agricultor quase ir embora quando os avós e os país, antigos produtores na região, perderam quase tudo que tinham. As plantações de cacau foram atingidas pela vassoura-de-bruxa nos anos de 1990. 


Sem terras suficientes para plantar, os irmãos de Clodoaldo foram para outros estados. Mas o agricultor nunca desistiu de produzir no Baixo Sul. “Eu nunca saí, porque eu sempre acreditei que eu ia dar certo”. Para tornar o sonho realidade, ele começou a trabalhar na terra de outras pessoas, através do sistema de arrendamento. Nem todas as plantações foram bem-sucedidas, e Clodoaldo chegou a perder 300 mil pés de abacaxi atingidos por pragas.


Mas ele se qualificou e passou a aumentar a produção por hectare. Passou a cultivar banana da terra e graviola e montou um viveiro de mudas certificadas de cacau. 


E em 2015 conseguiu comprar a fazenda própria de 41 hectares. “Nunca perdi a fé e a esperança. Todos os resultados bons que eu tinha eu juntava dinheiro para comprar a minha terra”.


Atualmente Clodoaldo emprega 26 pessoas e produz 2.300 toneladas de banana da terra por ano. Uma produtividade média de 55 toneladas por hectare. Também vende 900 mil mudas de cacau clonadas e certificadas por ano.



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FONTE: Correio 24 horas

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