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Usuários reclamam de passeio 'Volta à Ilha' em Morro de São Paulo; alterações da prefeitura desagradaram

Passageiros relatam espera de quase quatro horas para embargas, marinheiros alcoolizados e lanchas sem estrutura

04/12/2021 às 20h03 Atualizada em 05/12/2021 às 13h07
Por: Redação
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Usuários reclamam de passeio 'Volta à Ilha' em Morro de São Paulo; alterações da prefeitura desagradaram

Turistas que visitam Morro de São Paulo, na Baía de Tinharé, têm enfrentado diversos transtornos em um dos passeios mais tradicionais da região, o “Volta à Ilha”. São diversos os relatos nas redes sociais de problemas com a compra do pacote do passeio, demora em embarcar, falta de estrutura das lanchas e cobranças de taxas abusivas. Usuários e donos de lanchas culpam a Prefeitura de Cairu que fez uma série de mudanças no sistema.

O passeio “Volta à Ilha de Tinharé e Ilha de Boipeba” é o mais conhecido de Morro de São Paulo e faz um tour pelas ilhas da região, levando os turistas às piscinas naturais de Garapuá ou Moreré.

A usuária Mylena Martins fez um longo desabafo no Facebook, na última sexta-feira (03), contando que somente para embarcar em uma das lanchas esperou quase quatro horas.

“Um dos melhores passeios que há em Morro De São Paulo - Bahia está virando um caos! Não temos mais o direito, como turista e consumidores, de escolher as nossas embarcações, e ainda temos que andar em qualquer uma, com marinheiros alcoolizados e despreparados. E fora ainda as enormes filas, que estão enormes. Demorei das 08:30 da manhã até as 12:00 somente para embarcar na lancha.”

Ela relata ainda vários outros problemas enfrentados e culpa a Prefeitura de Cairu por ter instalado um novo sistema para as lanchas que fazem o passeio, inclusive cobrando taxas abusivas e beneficiando o irmão do prefeito da cidade.

Em uma rápida procura por tópicos sobre o passeio “Volta à Ilha” nas redes sociais, é fácil encontrar outras queixas de usuários.

Donos de lanchas e de agências de viagens também relatam a frustação de consumidores com os serviços e mostram que recebem reclamações e desabafos por Whatsapp. 

Em conversa com o BNews, em condição de anonimato, um dono de embarcação que realiza esse tipo de passeio  há vários anos afirmou que toda logística de administração do sistema era feita pela Associação dos Proprietários Das Lanchas de Passeios Volta a Ilha de Tinharé (APLPIT) e que a prefeitura colocou uma empresa para fazer a administração.

Segundo ele, essa empresa tem cobrado diversas taxas aos transportadores, desde o imposto correspondente (ISS) à taxa de maquina de cartão de crédito, o que também encareceu o serviço, não tem tido critério no credenciamento de lanchas e obriga o usuário a fazer a compra do passeio com sete dias de antecedência e sem possibilidade de escolher a embarcação e nem o condutor.

“As pessoas têm que comprar sete dias antes. No dia do passeio elas vão pra fila, têm que esperar, não sabem quem vai fazer o passeio. Não podem escolher uma lancha de confiança. Algumas não têm a mesma categoria de qualificação, estando bem acabadas. Está completamente desorganizado. O pessoal fica lá esperando, teve gente que já chorou.”

Ele ainda apontou que tem surgido na região diversas pessoas com mais dinheiro que têm comprado lanchas grandes e colocam no sistema, deixando pra trás pessoas que sempre trabalharam na região, com dedicação de uma vida toda sem nenhuma queixa ou problema.

Assim como a usuária que fez o relato no Facebook, o dono de lancha também falou sobre favorecimento do irmão do prefeito nessa nova administração dos passeios na região.

“A gente agora tem uma parada obrigatória, em um lugar obrigatório, para fiscalizar, que eles dizem que é pra fiscalizar, e que a gente é obrigado a pagar. Um píer que é do irmão do dono do prefeito. Tem que parar nesse lugar, que é pago, para fiscalizar, para ver a quantidade de passageiros, essas coisas.”

Perguntando se já teria havido uma tentativa de interlocuação com a prefeitura para resolução da questão, o homem afirmou que a associação entregou, na quinta-feira (02), ao prefeito de Cairu, Hildecio Meireles (DEM), um abaixo assinado com assinaturas de mais da metade dos seus membros, pedindo a suspensão desse novo sistema até que ele seja totalmente estruturado e não cause mais transtornos a turistas e usuários, mas até agora não teve retorno.

Ele completou com um desabafo: "Esse modelo de trabalho prejudica as pessoas que sempre fez o passeio e que fez investimentos e agora tem que ficar na fila esperando sua vez. Muita gente que tem lanchas e nunca procurou parcerias e nem faz um bom serviço, agora encosta na praia e tem os mesmos direitos que a gente. Tem mais de 110 lanchas cadastradas. Eu tinha todos os dias meus clientes e hoje não posso mais levar. Tenho que colocar em umas lanchas feias, com marinheiros mau educados, péssimo serviço, além de passar por um constrangimento na hora do embarque."

Procurada pelo BNews, a Prefeitura de Cairu ainda não se manifestou. Assim que os esclarecimentos forem prestados, a matéria será atualizada. 

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